terça-feira, 27 de agosto de 2013

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Nostalgia que dá

Não sei o que me atrai em você... Se é o que me trai ou o que me confessa. E a vida cresce e desce, perdura e emudece, mas não descubro o que acontece quando lembro do quanto já te quis, o quanto há pra se querer... Não sei o que me distrai em você. Se é o olhar que não fixa no meu, se é minha vontade de achar o que se perdeu ou se me distraio com o que crio ao olhar o que já não é meu. Das coisas que sei, poucas migalhas ao fim, é que não há lembrança ruim, há apenas esperança pouca. E se hoje chamas outro de meu amor, se ontem já não pesa no que pesa o adiante, pelo menos lembra, fita meu semblante, e diz pra mim que já não sou interessante, já não supro seu calor.

Osíris Duarte

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O que ganhamos com o 11 de Julho?


  Apesar de não serem mais de 50 mil, como foi na maior passeata que houve em Florianópolis durante as manifestações do último mês, as mais de 5 mil pessoas presentes na passeata do dia 11 de julho, intitulado Dia de Luta, Greves e Mobilizações, convocado pelas centrais sindicais, teve uma representatividade estratégica importante para os seguimentos da sociedade civil organizada no Brasil e na Capital Catarinense. 

  Funcionários públicos, COMCAP, Correios, eletricitários, bancários, policiais civis, trabalhadores da saúde, professores, estudantes, Movimento Passe Livre, MST... A lista de movimentos e categorias organizadas era grande, mesmo quando a concentração em frente a Assembleia Legislativa de Santa Catarina ainda não apontava para o tamanho da passeata que se formaria. Ao longo da caminhada, que passou pelos principais centros administrativos do Estado e do município, como prefeitura, secretarias de educação e saúde e TRT, e que acabou no Terminal municipal do centro da cidade, trabalhadores foram aderindo, do comércio, das administrações públicas... 

  Em meio ao clima de protestos que o país tem vivenciado, ver representantes de diversos seguimentos, classes e movimentos sociais, muitos deles rostos conhecidos de quem milita, de quem está nas ruas a bem mais tempo do que um princípio de inverno, misturados com outros, apenas ilustres desconhecidos, mas que se ocupam do papel de ocupar, de se ocupar com a culpa de quem não se contenta com o comodismo, da culpa do par, demonstra que ainda à margem para se pensar em unidade na militância civil brasileira. 


  O que se pode notar é que ainda há um abismo grande a se ultrapassar no que diz respeito a nossa noção de cidadania na nossa sociedade. Demonstrações de agressividade, intolerância e, por isso, ignorância, por parte de alguns transeuntes, ainda embebedados pelos gritos de "sem partido, sem bandeira ou viva as causas que nem eu mesmo sei quais são", que ecoaram em muitas manifestações no país, serviram para reforçar o quanto uma parcela significativa da sociedade não entende o que é liberdade, direito e democracia. 

  Acostumados a reproduzir as opiniões que recebem mastigadas da grande mídia, sem dar chance para ouvir, olhar ou mesmo considerar o outro lado, muitos cidadãos, inclusive integrantes da camada de trabalhadores no Brasil, não consideram os trabalhadores cidadãos, não entendem organizações civis, como Sindicatos, fora do que entendem por partidos políticos, e não valorizam a liberdade de expressão e manifestação, o direito civil amplo e a responsabilidade civil de lutar por uma sociedade melhor. De fato muitos trabalhadores não se enxergam como tal. Não no que diz respeito a quantidade e a qualidade do exercício profissional, do trabalho, mas sim como classe social. Esse equívoco classista gera distorções de comportamento social que afastam muitos da coletividade da classe em que está na busca pela ascensão de classe apenas.
   
      
  Noticiar apenas os números da passeata e compara-los com os demais números de outras mobilizações, colocando as falas já conhecidas dos dirigentes sindicais pontuadas, seria reproduzir o que a grande mídia faz, sem realmente destacar o que há de substancial na mobilização, seja pela demonstração de vida na sociedade civil organizada de Florianópolis, seja pela demonstração de unidade que as categorias deram. Reforçar o fato de que o problema do professor é problema do enfermeiro, que é problema do bancário, que é problema do funcionário público, que é problema do lixeiro, e assim por diante, é um ganho importante na construção da ideia de coletividade e cidadania plena no nosso país. Constatar a forma como a mídia aborda as mobilizações da classe trabalhadora em comparação com mobilizações mais difusas, oriundas de outros projetos de luta, que muitas vezes não confrontam o poder e a opressão do mundo moderno, também é um ganho no psicológico de muitos militantes.  


  Para a categoria bancária fica a lição, mais uma vez, de que sem luta, organização e unidade não se mantém, muito menos se conquista direitos. Nenhum dos nossos direitos civis são concessões do poder. Todos eles foram conquistados ao longo da história, na base da luta e ao custo de mortes e sofrimento de muitos cidadãos de bem. A categoria bancária é, ainda, uma das maiores e mais bem organizadas categorias de trabalhadores no país. A muito custo se construiu a estrutura e organização dos bancários e, se não nos apropriarmos das ruas e dos nossos direitos, eles serão expropriados, quinhão por quinhão, enquanto nos conformamos e ser apenas história, não realidade.      

Texto e fotos - Osíris Duarte




quarta-feira, 26 de junho de 2013

terça-feira, 18 de junho de 2013

A mídia, o medo e os paralelepípedos



  Bastou um momento, um ensaio da possibilidade, para o medo se instalar naqueles que nunca imaginaram que isso poderia acontecer. O medo, o mesmo sentimento útil historicamente na relação da sociedade de classes brasileira, mudou de lugar, mesmo que por um lampejo, mesmo que ainda precisando ganhar mais corpo. A reflexão sobre como as ideias ganham corpo, mente e alma no nosso país, passam muito pelos olhos daqueles habituados ao status quo, a dita ordem. Porque foi nos olhos de colegas jornalistas, nos olhos de analistas e políticos, que vi a luz no fim do túnel, mais uma vez. Foi no medo que vi nos olhos deles.
  Assistindo ontem o Jornal Nacional, como exercício didático de análise semiótica, monitorando discursos, fui testemunha do ridículo a que se dobrou a emissora, que através do semblante do seu âncora não se furtou em demonstrar o tamanho da contrariedade em dar cobertura para as manifestações em todo o país, reunindo milhares de pessoas. Não podendo amplamente alimentar o ufanismo da Copa das Confederações, e tendo que dar destaque as manifestações para vender a imagem de que faz jornalismo, e é imparcial, o JN, principal telejornal do jornalismo da Globo, correu e corre atrás, assim como o departamento de jornalismo da emissora, para minimizar o impacto da insatisfação gerada pelo reacionarismo das declarações e abordagem da emissora na cobertura das manifestações.
  A mudança de termos, adjetivos, como vândalos para manifestantes, é apenas uma das estratégias adotadas pelas editorias para capitalizar o prejuízo de imagem e credibilidade. Outra e o pretenso fazer jornalístico agora alardeado por eles, que se omitiram até então com relação a buscar entrevistas com os manifestantes, a não exacerbar o vandalismo em detrimento da importância das manifestações e das bandeiras defendidas. O direcionamento que um discurso têm, mesmo travestido de jornalismo, não está somente nas palavras contidas nele, mas principalmente no tom e na abordagem que se dá. Existem especialistas para corroborar com quase tudo, desde que corresponda ao que defende a tese argumentada. Não existem verdade absolutas, mas escolhas de verdade. Mas o pior é ver que além de tentar minimizar prejuízos, a emissora insiste, sutilmente, em reforçar seu posicionamento político, mesmo o escondendo em mentiras que são, de fato, o  motor da máquina da Globo. O exemplo são as afirmativas de repórteres, dizendo que "as manifestações são motivadas pelo aumento das tarifas e pelo custo de vida no país". MENTIRA! As tarifas sim, mas essa afirmação, cunhada pela repórter, é política, tentando pesar no governo federal em algo que eles mesmos tem responsabilidade pela manutenção: ignorância. Acho que qualquer político no Brasil é farinha do mesmo saco, porque se sujeita ao jogo do sistema para disputar poder. Nada de mobilizar o povo, nada de luta por direitos, é poder e ponto. Quem entra no  jogo, por mais que tenha o tal discurso de mudar de dentro, de que se eu, que sou honesto e bonzinho, não estiver lá, vamos deixar espaço para quem não presta é balela de quem quer bebesse, mamar na teta. O fato é que quem entra nessa ou está disposto a se corromper, ou não terá força para resistir, esse é o jogo, e a máquina de dentro é bem melhor guardada do que por fora.
O fato é que o peso das manifestações se fez sentir numa parcela da sociedade que vive, e sempre viveu, a falsa sensação de segurança que corroborar com quem ascende ao poder oferece, mesmo com esse poder sendo adquirido na base da opressão e da mentira. O peso do que tem acontecido no Brasil não é político partidário nem mesmo o que está em jogo é quem será o próximo presidente do país. O que está em destaque, o que está em jogo é algo chamado senso de cidadania, de pertencimento. Nada muda para uma coletividade que não se reconhece como tal. E não são as bandeiras dos partidos ou grupos que fazem esse senso de coletivo, pelo contrário. Quem fez esse senso brotar foi a rua, foi a retomada do que é nosso, a apropriação. Para um povo que nunca se sentiu dono desse país, pelas inúmeras questões históricas que pesam, a rua é o melhor palco de retomada de posse, de construção de sentido de coletividade.

Osíris Duarte - Jornalista
   



quarta-feira, 12 de junho de 2013

Por mais que seja ingênuo



O que antes fosse, já era. Brumas turvam o campo... Piedade de mim, dizia.
Se outrora visse o amanhecer na alvorada desse amanhã, nada me diria.
Seja o sol que exiges que brilhe sobre seu dia.

E se agora choras, seja pela solidão ou seja por orgulho, chores.
A maior misericórdia é deixar a discórdia de lado, e saber sofrer se convêm.
Seja a luz da estrela que guia seus passos.

Quem lamenta não tem tempo pra se erguer.
Achas que a tormenta só sopra pra você? Ingênuo...
O que importa quem escuta atrás da porta, se não ao orgulho que corta vossa vontade.

Dor maior é viver a fantasia de quem cria o próprio conto verdade.
Sofrer mesmo é viver achando que não está só quando na realidade gritas só.
Qual é a liberdade que preferes, a que fere todo o dia, ou a que responsabiliza-te pelos curativos?

Qual é a força de vossa fé.

Osíris Duarte 12.06.13