terça-feira, 27 de agosto de 2013
Vida nossa
Cada qual no seu cada um de todo dia. Todo uno que de cada qual retira seu todo. Dia seu quando cada todo se torna um. Vida nossa... As vezes a gente esquece.
Osíris Duarte 23.08.13
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Nostalgia que dá
Não sei o que me atrai em você... Se é o que me trai ou o que me confessa. E a vida cresce e desce, perdura e emudece, mas não descubro o que acontece quando lembro do quanto já te quis, o quanto há pra se querer... Não sei o que me distrai em você. Se é o olhar que não fixa no meu, se é minha vontade de achar o que se perdeu ou se me distraio com o que crio ao olhar o que já não é meu. Das coisas que sei, poucas migalhas ao fim, é que não há lembrança ruim, há apenas esperança pouca. E se hoje chamas outro de meu amor, se ontem já não pesa no que pesa o adiante, pelo menos lembra, fita meu semblante, e diz pra mim que já não sou interessante, já não supro seu calor.
Osíris Duarte
Osíris Duarte
quarta-feira, 17 de julho de 2013
O que ganhamos com o 11 de Julho?
Funcionários públicos, COMCAP, Correios, eletricitários, bancários, policiais civis, trabalhadores da saúde, professores, estudantes, Movimento Passe Livre, MST... A lista de movimentos e categorias organizadas era grande, mesmo quando a concentração em frente a Assembleia Legislativa de Santa Catarina ainda não apontava para o tamanho da passeata que se formaria. Ao longo da caminhada, que passou pelos principais centros administrativos do Estado e do município, como prefeitura, secretarias de educação e saúde e TRT, e que acabou no Terminal municipal do centro da cidade, trabalhadores foram aderindo, do comércio, das administrações públicas...
Em meio ao clima de protestos que o país tem vivenciado, ver representantes de diversos seguimentos, classes e movimentos sociais, muitos deles rostos conhecidos de quem milita, de quem está nas ruas a bem mais tempo do que um princípio de inverno, misturados com outros, apenas ilustres desconhecidos, mas que se ocupam do papel de ocupar, de se ocupar com a culpa de quem não se contenta com o comodismo, da culpa do par, demonstra que ainda à margem para se pensar em unidade na militância civil brasileira.
Acostumados a reproduzir as opiniões que recebem mastigadas da grande mídia, sem dar chance para ouvir, olhar ou mesmo considerar o outro lado, muitos cidadãos, inclusive integrantes da camada de trabalhadores no Brasil, não consideram os trabalhadores cidadãos, não entendem organizações civis, como Sindicatos, fora do que entendem por partidos políticos, e não valorizam a liberdade de expressão e manifestação, o direito civil amplo e a responsabilidade civil de lutar por uma sociedade melhor. De fato muitos trabalhadores não se enxergam como tal. Não no que diz respeito a quantidade e a qualidade do exercício profissional, do trabalho, mas sim como classe social. Esse equívoco classista gera distorções de comportamento social que afastam muitos da coletividade da classe em que está na busca pela ascensão de classe apenas.
Para a categoria bancária fica a lição, mais uma vez, de que sem luta, organização e unidade não se mantém, muito menos se conquista direitos. Nenhum dos nossos direitos civis são concessões do poder. Todos eles foram conquistados ao longo da história, na base da luta e ao custo de mortes e sofrimento de muitos cidadãos de bem. A categoria bancária é, ainda, uma das maiores e mais bem organizadas categorias de trabalhadores no país. A muito custo se construiu a estrutura e organização dos bancários e, se não nos apropriarmos das ruas e dos nossos direitos, eles serão expropriados, quinhão por quinhão, enquanto nos conformamos e ser apenas história, não realidade.
Texto e fotos - Osíris Duarte
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Protestos em Florianópolis: Na rua, na chuva e no busão
Osíris Duarte - Jornalista
Essas imagens não podem ser reproduzidas sem o devido crédito do fotógrafo
terça-feira, 18 de junho de 2013
A mídia, o medo e os paralelepípedos
Bastou um momento, um ensaio da possibilidade, para o medo se instalar
naqueles que nunca imaginaram que isso poderia acontecer. O medo, o mesmo
sentimento útil historicamente na relação da sociedade de classes brasileira,
mudou de lugar, mesmo que por um lampejo, mesmo que ainda precisando ganhar
mais corpo. A reflexão sobre como as ideias ganham corpo, mente e alma no nosso
país, passam muito pelos olhos daqueles habituados ao status quo, a dita ordem. Porque foi nos olhos de colegas
jornalistas, nos olhos de analistas e políticos, que vi a luz no fim do túnel,
mais uma vez. Foi no medo que vi nos olhos deles.
Assistindo ontem o Jornal Nacional, como exercício didático de análise
semiótica, monitorando discursos, fui testemunha do ridículo a que se dobrou a
emissora, que através do semblante do seu âncora não se furtou em demonstrar o
tamanho da contrariedade em dar cobertura para as manifestações em todo o país,
reunindo milhares de pessoas. Não podendo amplamente alimentar o ufanismo da
Copa das Confederações, e tendo que dar destaque as manifestações para vender a
imagem de que faz jornalismo, e é imparcial, o JN, principal telejornal do
jornalismo da Globo, correu e corre atrás, assim como o departamento de
jornalismo da emissora, para minimizar o impacto da insatisfação gerada pelo
reacionarismo das declarações e abordagem da emissora na cobertura das
manifestações.
A mudança de termos, adjetivos, como vândalos para manifestantes, é
apenas uma das estratégias adotadas pelas editorias para capitalizar o prejuízo
de imagem e credibilidade. Outra e o pretenso fazer jornalístico agora alardeado
por eles, que se omitiram até então com relação a buscar entrevistas com os
manifestantes, a não exacerbar o vandalismo em detrimento da importância das
manifestações e das bandeiras defendidas. O direcionamento que um discurso têm,
mesmo travestido de jornalismo, não está somente nas palavras contidas nele,
mas principalmente no tom e na abordagem que se dá. Existem especialistas para
corroborar com quase tudo, desde que corresponda ao que defende a tese
argumentada. Não existem verdade absolutas, mas escolhas de verdade. Mas o pior
é ver que além de tentar minimizar prejuízos, a emissora insiste, sutilmente,
em reforçar seu posicionamento político, mesmo o escondendo em mentiras que são,
de fato, o motor da máquina da Globo. O
exemplo são as afirmativas de repórteres, dizendo que "as manifestações
são motivadas pelo aumento das tarifas e pelo custo de vida no país". MENTIRA!
As tarifas sim, mas essa afirmação, cunhada pela repórter, é política, tentando
pesar no governo federal em algo que eles mesmos tem responsabilidade pela
manutenção: ignorância. Acho que qualquer político no Brasil é farinha do mesmo
saco, porque se sujeita ao jogo do sistema para disputar poder. Nada de
mobilizar o povo, nada de luta por direitos, é poder e ponto. Quem entra
no jogo, por mais que tenha o tal
discurso de mudar de dentro, de que se eu, que sou honesto e bonzinho, não
estiver lá, vamos deixar espaço para quem não presta é balela de quem quer
bebesse, mamar na teta. O fato é que quem entra nessa ou está disposto a se
corromper, ou não terá força para resistir, esse é o jogo, e a máquina de
dentro é bem melhor guardada do que por fora.
O fato é que o peso das
manifestações se fez sentir numa parcela da sociedade que vive, e sempre viveu,
a falsa sensação de segurança que corroborar com quem ascende ao poder oferece,
mesmo com esse poder sendo adquirido na base da opressão e da mentira. O peso
do que tem acontecido no Brasil não é político partidário nem mesmo o que está
em jogo é quem será o próximo presidente do país. O que está em destaque, o que
está em jogo é algo chamado senso de cidadania, de pertencimento. Nada muda
para uma coletividade que não se reconhece como tal. E não são as bandeiras dos
partidos ou grupos que fazem esse senso de coletivo, pelo contrário. Quem fez
esse senso brotar foi a rua, foi a retomada do que é nosso, a apropriação. Para
um povo que nunca se sentiu dono desse país, pelas inúmeras questões históricas
que pesam, a rua é o melhor palco de retomada de posse, de construção de
sentido de coletividade.
Osíris Duarte - Jornalista
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Por mais que seja ingênuo
O que antes fosse, já era. Brumas turvam o campo... Piedade de mim, dizia.
Se outrora visse o amanhecer na alvorada desse amanhã, nada me diria.
Seja o sol que exiges que brilhe sobre seu dia.
E se agora choras, seja pela solidão ou seja por orgulho, chores.
A maior misericórdia é deixar a discórdia de lado, e saber sofrer se convêm.
Seja a luz da estrela que guia seus passos.
Quem lamenta não tem tempo pra se erguer.
Achas que a tormenta só sopra pra você? Ingênuo...
O que importa quem escuta atrás da porta, se não ao orgulho que corta vossa vontade.
Dor maior é viver a fantasia de quem cria o próprio conto verdade.
Sofrer mesmo é viver achando que não está só quando na realidade gritas só.
Qual é a liberdade que preferes, a que fere todo o dia, ou a que responsabiliza-te pelos curativos?
Qual é a força de vossa fé.
Osíris Duarte 12.06.13
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