quarta-feira, 26 de março de 2014
Cabelo
Tem cabelo que não tem cara de pelo, nem modelo nem formato. Tem cabelo que é nato, que é certeiro. E não fale do meu cabelo, se você não tem recheio na cobertura. Cabelo bom é cabelo que dura e não queima com o esforço do pensamento. Cabelos ao vento para quem é livre. Cabelos crespos para quem vive ao invés de morrer na frente do espelho. Cabelo farto, colorido eu despenteio, não ligo. Cabelo bom se mede pelo que faço, não pelo que digo. Para o seu desespero, sua inveja e seu pobre destino, cabelos negros eu tenho e são lindos! Cabelos na testa não vem primeiro, é o caráter que faz o penteado, farto ou rasteiro. E pra você, fascista embusteiro digo: Vai pentear macaco.
Osíris Duarte
segunda-feira, 24 de março de 2014
Tanta certeza
Ela não quer presteza. Essa certeza de ser mulher.... E enquanto eu ponho a mesa ela dança a beleza de fazer como quiser. Não quis meu bom dia, não demorou nessa tardia forma de amar. Ela quer o mar, o dar e a cerveja. Ela quer chocar a sociedade que malfazeja sua verdade, fazendo alarde enquanto dorme só. Essa certeza de ser mulher é como brigadeiro de colher. Deleite-se, se puder, seja, se vier, maior que as cólicas, menor que as sólidas entranhas das manhas de quem, se quer, começou a entender sobre amor, liberdade e Baudelaire.
Osíris Duarte
Impassível
Sempre é possível, para quem é impassível, justificar o impossível, o indigerível, com perfumaria incrível, filosofia imbatível e hipocrisia irresistível. Indivisível é quando esquecem de ver o invisível, coisa de insensível, viver na ilusão plausível da negligência do virtuosismo em detrimento do aprazível gozo da própria incoerência. Ai, o outro se torna desprezível na sua busca por existência. Indivíduo que se apaga em meio a desistência dos outros "eus". Não creio mais em resistência do sensível, só na resiliência do que ainda é crível dentro de mim.
Osíris Duarte
quinta-feira, 20 de março de 2014
Outono
Frágeis como folhas ao vento, secas que caem no chão, meus pensamentos voam a tempo de minguar, dormir, florescer e brilhar, seguindo o ritmo de cada estação. Hoje reside outono onde já morou verão. E antes do sono do inverno, faço um afago terno nas ramas secas da atribulação, na expectativa de que o que quero virá no fim do inverno, uma primavera cheia de flores, odores e ressurreição.
Osíris Duarte 20.03.14
terça-feira, 11 de março de 2014
A moça dança
Naquela tez de brilho largo, preta tez de quem tem valor, corriam as mãos e os pensamentos meus sem dor ou pudor. A moça dança, não cansa e não deixa de lado essa alegria matava qualquer desvio magro de pensamentos gordos. Eu fiquei preso naquele rebolado, embasbacado com certas manias de moças belas. A moça dança na rua, nas curvas e vielas, e eu danço com ela, na curvas... Tinha um quê de sedução, ainda que pese minha tensão estremecida, eram leves aquelas viradas, guinadas, chegadas e partidas, verves contidas nos passos dela. A moça dança bela e, quem dera, ela dançasse comigo sem que eu dance. São coisas que dão sentido ao sentir, quase um transe. Dançar é subir com o espírito leve, cheio do que serve pro bem querer. Por isso dance pra sempre, ventre incessante, vento presente... São lindas aquelas que vivem de som, de ser e de sonho aos olhos meus.
Osíris Duarte
segunda-feira, 10 de março de 2014
Elas sem ponto nem vírgula
Seja
princesa bruxa donzela Do que elas são capazes ases que curam sequelas
Vielas e ruelas são passarelas embaixo do sapato de qualquer uma delas
Quiseras momento discernimento para não atravessar as eras com elas
modelas as partes do corpo um porto seguro nas coxas no busto que custo
viver sem elas Não gosto de datas não conto com atas vírgulas ou pontos
pra registrar importância relevância e indispensável
presença até das megeras Todo dia paciência trabalho resiliência num
mundo em que pede penitência mesmo na sua inocência Meninas ou moças as
ouça se ainda tens razão e experiência Não gosto de datas são repletas
de nadas quando o dia é todo dia mania carência eloquência alegria delas
Mina ou dama desencana tpm cama chocolate romance não canse dance com
ela fina trama fina ela acompanha se for capaz rapaz No mais sou incapaz
de viver sem elas e aqui jaz um culpado deveras na conspiração que
tramam a luz de velas por um mundo menos deles e mais delas
Osíris Duarte
Osíris Duarte
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Lista
Não desejo um ano bom, desejo uma vida no bem. Os justos sabem o que tem valor. Não desejo dor em pedaços, desejo a flor e os abraços de quem entende sobre sofrer e crescer. Desejamos tanto... Mas em meio ao pranto de quem lamenta esquecemos de realizar. Eu desejava o mar, o tenho, mas continuo desejando... Existem meandros entre ser e estar, e tudo aquilo que se renova, nascendo já indo pra cova, é fato nem planeta que gira. Desejo que vá pra bem longe a ira, os apegos vãos, as ilusões e mentiras. Ciclos não tem começos nem fins, são assim, ciclos, me deixando tonto, mas já já e... pronto! O todo volta para o lugar. De tudo aquilo que desejo, desejei e desejarei existe um fato, de que sonhos são como mato no pasto, necessária fonte de desejos, um beijo, um átimo. Essa vontade de acordar feliz, de me dizer que me refiz, desejo... Uma necessidade de comer queijo de manhã, de cortar a grama no fim de semana, de abraçar os meus. De ver os teus felizes, porque me dizes sobre solidariedade, mas não te apraz a felicidade alheia. Desejo areia no pés no verão, uma canção que toque sem tocar, tocando na cabeça e no coração. Quero tanto que nós demos as mãos sem medo de chuva. Quero uva, alegria pra viúva, e um parto normal nessa vida insana. Quero me alimentar de prana, curtir a semana sem pensar só no final. Quero ser o tal das coisas boas, crescer a toa, sem perceber, como adolescente que cresce da noite pro dia. Não desejo coisas, nem pra mim nem pra você. Desejo que sejas maior que as coisas, maior que as dúvidas, que sejamos fé, amor nesses ciclos de viver.
Osíris Duarte 02.01.14
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