quinta-feira, 31 de julho de 2014

Cara, tu sumiu!

São 7 horas da manhã e estou fazendo café. Lá pelas 8 horas já tomei dois, pelo menos. Me preparando pra sair para o trabalho, tomo um banho lá pelas 10 para, lá pelas 10h30 sair de casa, o mesmo endereço nos últimos dois anos. Já fazem 5 anos que estou no mesmo trabalho, localizado no mesmo ponto onde a 5 anos atrás comecei a trabalhar. Meu horário é vespertino. Como moro longe, no mesmo bairro, há uns 6 anos, levo uma hora e pouco de trajeto, dependendo do trânsito. Chego lá pelas 19h30 horas em casa. Passo antes na padaria, compro geralmente pão e queijo. Nos fins de semana, dependendo da grana, saio, vejo gente, ou faxino a casa, leio, vejo um filme... Ou então eu vou ver meus pais, que moram em uma outra cidade a quase vinte anos. É coisa de 2 horas de estrada, pelo menos, pra vê-los. Onde eles moram também tenho amigos. Todos me cobram, porque gostam de alguma forma de mim, nem todos eu vejo...Têm um monte de gente querida que não vejo faz tempo, talvez tempo demais já... Meu pai, que mora em São Paulo, é um, por exemplo. Acho que fazem uns 2 anos que não nos vemos... Ele não me cobra, até porque a "distância é a mesma", e ele também não vem pra cá. Na medida do possível, do bolso e do tempo, vou tocando o visível e o invisível da minha vida. Em geral somos bem mais exigentes com o outro do que consigo. To me exigindo e sigo, tentando podar o nocivo. Desde que escolhi ser independente, tentando desonerar minha família do custo de um marmanjo, e encarando a profissão que escolhi e a vida que Deus me proporcionou que falta tempo hábil pra corresponder ao que todos, as vezes, esperam de mim. Não se trata necessariamente de tempo, entende? O tempo do mundo não é o tempo em nós, de Deus, da verdade... Também espero dos outros, acho bobagem essa coisa de não criar expectativas. Nós sempre esperamos algo, como lidamos com essas expectativa ou frustração é que é o lance. Me restrinjo a corresponder o que me é possível e tem sentido. Um amiga me disse um tempo atrás algo duro de aceitar. Que não podemos contar com o outro e que, principalmente hoje, o mundo é cada vez mais feito de individualismo. Eu sabia, mas não deixa de ser duro de aceitar. E não se trata de estar cercado de gente, de ser bem quisto por uma legião e de dizer que se preocupa com os outros, com o planeta... Isso não apaga nosso indivíduo. Certos sensos e valores parecem servir como argumentos válidos para coisas antagônicas, que não guardam tanta virtude quanto os argumentos. Me pergunto, todos os dias, o quanto de verdade há nisso, o quanto o propósito luminoso é o propósito, e não retórica.  Passei anos acreditando que amealhava mais amigos do que bens. Me sentia rico. Mas sabecomé: o tempo passa, as pessoas mudam, a vida leva, fazemos escolhas e nem sempre o "séquito" de amigos segue esse rumo. E deveria? Por vezes questiono baseado em que são as relações que a gente faz. Porque se findam, é porque findam as razões. Quando a gente fala de amor também há fim, mas o que acaba, afinal? O amor por si só?! O que sinto fortemente hoje é que não posso mais aplaudir certas coisas em nome da cumplicidade que encontramos nos amigos com relação as falhas comuns. Acaba sendo argumento pra minha própria inércia. Escolhas que fiz por mim, pois são raras as pessoas, por mais prestativas que se digam, que se colocam no lugar do outro e se solidarizam de fato. Solidariedade é incondicional, se não não é solidariedade. Sendo assim, guardo pra mim essas crítica e tento praticar isso tudo ai, vomitado nesse texto, com mais afinco. Só que não. Só que dói e é foda. É assim que a mente caminha, negando as afirmações e afirmando negações, buscando médias para encontrar entradas ou saídas. Não me sinto a vontade mais com os cenários ilusórios, galgados em coisas superficiais que, quando não estão presentes, fazem com que as relações se dissipem. Pode ser uma tremenda viajem minha, mas é como tenho me sentido. Na medida do possível, da lealdade e da vontade mantenho as relações que me cercam, quando não é possível deixo para o astral. Sempre fui aquele sujeito metido a sensível saca, que se doía com a dor alheia, que se preocupava e, pra mim, é um exercício sofrido viver sem sofrer tanto pelo outro. Mas é necessário seguir, minha fé não me permite parar. E se então terei que viver com a indiferença, seja ela uma por uma certa vingança em correspondência, seja ela uma demonstração de ausência não percebida, seja ela orgulho ou resiliência, há de se ter algo pra aprender com isso, sempre há.       

Osíris Duarte

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